e-books, marketing digital e o momento político


A combinação de assuntos soou estranha? O quê e-books, marketing digital e o momento político podem ter em comum? Comecemos, então, falando sobre a eficácia da propaganda dirigida que algumas lojas de e-books (ou qualquer loja virtual, na verdade) conseguem fazer.

Decidindo sua próxima leitura

Como vocês provavelmente já sabem, eu gosto de ler e costumo comprar e-books, por isso, tenho cadastro em diversas livrarias virtuais que costumam ter um marketing atuante, embora nem sempre efetivo.

Normalmente consigo aproveitar alguma dica ou oferta quando recebo os e-mails da Amazon contendo promoção de e-books. Isso acontece porque são promoções interessantes, há e-books realmente baratos (menos de R$10,00) em temas ou de autores que me interessam. E isso não é coincidência, a Amazon sabe o que me interessa porque tem registros daquilo que leio e pesquiso no portal Amazon. Não é 100% de acerto, lógico, mas o resultado obtido (para mim e para eles) é bem diferente do que acontece com as demais livrarias online.

A Apple não é muito ativa no envio de promoções ou lançamentos, e também não parece personalizar muito os envios. As outras todas que enviam regularmente e-mails com recomendação de títulos (os óbvios, em geral, possivelmente selecionados com base no mesmo “critério” adotado nas gôndolas de destaque nas livrarias físicas, ou seja, editora ou autores pagam pelo destaque – o que não considero propriamente condenável). Porém, não há um filtro baseado nos interesses de cada leitor, apenas a lista de e-books e seus preços.  Há que se destacar como fato positivo o crescimento da oferta de títulos na casa dos dez reais, embora predominem os preços atrelados ao valor do livro físico (com a protocolar diferença de 30% para menos).  Isso é bom, mas parece ainda longe de suficiente para promover efetivamente a leitura nesse formato, ou simplesmente para funcionar como estímulo à leitura em geral. Talvez a grande diferença entre o acervo impresso e o digital ainda seja um limitador importante, junto com a não popularidade de e-readers e mais uma série de razões das quais tanto já se falou nas redes que discutem os temas em torno do e-book.

Moral da história? Informar o leitor sobre publicações do seu interesse e a um preço justo, motiva à compra. Para grande parte dos leitores, especialmente os mais convictos, reduz o interesse em obter aquela obra por outras vias. Assim, além de um bom instrumento de mercado (que certamente exige investimento) beneficia não só quem vende, mas otimiza o tempo de quem busca o conteúdo. Isso, porém, não está livre de riscos. Voltaremos ao tema mais tarde.

Definindo seu posicionamento

Agora, pensemos juntos. Se eu recebo sempre dicas alinhadas com o que pesquiso e leio (que no geral estará correlacionado com o que concordo e estou acostumada a absorver) e me restrinjo a escolher e consumir apenas o que me chega por essa fonte, eu corro o risco de não exercitar minha crítica, aferrando-me as mesmas convicções e costumes e ficar circulando num espaço restrito, não!? Exemplificando, se pesquiso, em ficção por exemplo, apenas autores de língua espânica, e as recomendações da livraria começam a restringir as opções com base nessa minha preferência, corro o risco de não chegar a uma obra dos russos, ou de privar-me da descoberta de algum autor que poderá me surpreender. Isso limita as chances de que meu horizonte de conhecimento e experiências se expanda através da leitura.

De modo parecido, se eu assistir sempre o mesmo noticiário e ouvir apenas a visão / versão dos mesmos comentaristas, há o risco de que eu ignore fatos reais que eu mesma avaliaria de modo distinto caso tivesse tido acesso a um ângulo alternativo ou a uma outra análise. E fiz essa costura aparentemente exdrúxula porque acredito que isso vale para muita coisa na vida, senão para tudo.

Conclusão? Ainda há muito para ler, refletir, pensar e agir. E isso ninguém fará por mim, ou por você.


Sobre Maurem Kayna

Maurem Kayna é Engenheira Florestal, baila flamenco e é apaixonada pela palavra como matéria-prima para a vida. Escreve contos, análises sobre a auto publicação e tem a pretensão de criar parágrafos perenes.

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